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Cinco cevadas de chimarrão

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Cinco cevadas de chimarrão 1 I O mate amargo e transcendental, De um taura de fogo e fogueira, Que nasce no silêncio matinal, E sorve remansos de chaleira. Cevado com a reverência ritual, Da cultura do passado estradeiro. Aquece o corpo e a alma provincial, E se sorve na quietude de posteiro. Encanta gestos sagrados de utopia, Com a cuia e a bomba em harmonia, E se oferta ao peão com excelência. Renova os sabores de campo e mato, Do simples, do concreto e abstrato, E nos envolve com altiva essência. II Chimarrão é parceiro de jornada, Nas milongas e causos nos serões, Que se enleva na cuia colorada, Nas querências e no fundo dos rincões. Doce amargo no regaço da amada, E ousadia numa ação que liberta, Pássaros imponentes em revoadas, Ou asas de uma mariposa inquieta. É um remédio natural e caseiro, Cura as angústias diante do braseiro, E reacende o fogo-fátuo da cultura. Habita eterno nos ranchos de Santa Fé, Gente buena nas Missões de Sepé, E traz nos tentos a ...

El Payador

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El Payador 1 Lá onde sopra o Minuano, Nasceu Jayme Caetano Braun. El Payador ... poeta imortal, Se fez nas lidas de paysano , Na aurora de um veterano, Pra cantar o Sul campeiro. Na fraca luz do candeeiro, Peão da arte declamatória, E esta é a buena história, De um Tronco Missioneiro. Grande payador do Rio Grande, Que encantou este céu de anil. Poemas xucros de barranca e rio... Numa vastidão que expande, Além dos pagos que se ande. No eterno cantar deste torrão, Com alma, sangue e coração, Nos estrofes terrunhos de alforria. Rimas de vendaval e calmaria. Polvadeira de versos no rincão! Atravessou as Fronteiras, Levando a arte das escrituras, Hoje sua lenda fulgura, Na pátria das três bandeiras. Sem alambrados... sem porteiras. Abre o peito e a cancela, Solta a Décima Espinela. Para cantar esta Querência, Com garra, luta e essência, Missioneiro em Sentinela. El Payador da terra jesuíta. Sonidos soltos ao vento Do infinito ao firmamento. Numa longa milonga bendita,...

41 voltou em 24

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  41 voltou em 24 1 A palavra é distopia, Para descrever a tragédia. Rios acima da média, Na enchente de agonia. Vemos que a Ecologia, Foi um discurso vazio, Bateu águas no casario, E nos galhos do jacarandá, Nem o muro da Mauá, Conteve as águas do rio. Voltaram as águas de 41, No maio chuvoso de 24. Esse é o triste retrato, Da natureza incomum. Não deixa lugar algum, Há lagoas nas cidades... Rios de poucas verdades. Mentiras inundam as águas. Digitais das nossas mágoas, Nos prantos da fatalidade. A resistência é primordial, No transtorno da enchente, Pois cada gaúcho presente, Na fé da prece na Catedral. O abraço veio fraternal, De muito longe e perto, Oramos de peito aberto, No lusco-fusco da vela, Que permeia uma janela, C’o breu do céu encoberto. Entre pesadelo e realidade, O limite nas plagas do Sul, Saudades de um céu azul, Pra voltar à normalidade, Esta louca tempestade, De choro, fuga e ...

O vazio nas recordações casa adentro

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  A ausência preencheu o vazio, Quando minha mãe foi embora... Não clareou os raios da aurora: no remanso na curva do rio... e nas cumeeiras do casario... Pois o vazio alonga distâncias. Nos horizontes de estâncias... Vagueio pela casa adentro, Há recordação... há sofrimento... E aromas da minha infância. O vazio está na simplicidade, Da sala e da rede na varanda. Gotas de chuva na platibanda. E a nossa dura realidade... Um chalé nos confins da cidade, E uma cozinha cheia de afetos. Aconchego no lanche dos netos. Uma avó de carinho e devoção! Alma, fé, sonhos e coração. A mãe de olhares discretos! Arroz doce nas porcelanas, E as deliciosas ambrosias, Adoçavam os nossos dias. Uma vida simples... mundana... Eram preguiçosos os fins de semana! Café preto e bolo de milho, Nos olhos dos piás, um brilho, E uma soneca na sala de estar. Muito silêncio nas noites de luar, Imensa saudade dos filhos. O vazio na cuia do chimarrão, E uma bengala esqueci...