Cinco cevadas de chimarrão
Cinco cevadas de chimarrão 1 I O mate amargo e transcendental, De um taura de fogo e fogueira, Que nasce no silêncio matinal, E sorve remansos de chaleira. Cevado com a reverência ritual, Da cultura do passado estradeiro. Aquece o corpo e a alma provincial, E se sorve na quietude de posteiro. Encanta gestos sagrados de utopia, Com a cuia e a bomba em harmonia, E se oferta ao peão com excelência. Renova os sabores de campo e mato, Do simples, do concreto e abstrato, E nos envolve com altiva essência. II Chimarrão é parceiro de jornada, Nas milongas e causos nos serões, Que se enleva na cuia colorada, Nas querências e no fundo dos rincões. Doce amargo no regaço da amada, E ousadia numa ação que liberta, Pássaros imponentes em revoadas, Ou asas de uma mariposa inquieta. É um remédio natural e caseiro, Cura as angústias diante do braseiro, E reacende o fogo-fátuo da cultura. Habita eterno nos ranchos de Santa Fé, Gente buena nas Missões de Sepé, E traz nos tentos a ...