El Payador
El Payador1
Lá onde sopra o Minuano,
Nasceu Jayme Caetano Braun.
El Payador... poeta imortal,
Se fez nas lidas de paysano,
Na aurora de um veterano,
Pra cantar o Sul campeiro.
Na fraca luz do candeeiro,
Peão da arte declamatória,
E esta é a buena história,
De um Tronco Missioneiro.
Grande payador do Rio Grande,
Que encantou este céu de anil.
Poemas xucros de barranca e rio...
Numa vastidão que expande,
Além dos pagos que se ande.
No eterno cantar deste torrão,
Com alma, sangue e coração,
Nos estrofes terrunhos de alforria.
Rimas de vendaval e calmaria.
Polvadeira de versos no rincão!
Atravessou as Fronteiras,
Levando a arte das escrituras,
Hoje sua lenda fulgura,
Na pátria das três bandeiras.
Sem alambrados... sem porteiras.
Abre o peito e a cancela,
Solta a Décima Espinela.
Para cantar esta Querência,
Com garra, luta e essência,
Missioneiro em Sentinela.
El Payador da terra jesuíta.
Sonidos soltos ao vento
Do infinito ao firmamento.
Numa longa milonga bendita,
A décima em verso palpita.
Alcança outras invernadas.
Vence o tempo e madrugadas.
O taura se fez... facho de luz,
Cavalgada espiritual que reluz,
O pôr do sol diante da estrada.
Uma Estrela na Bossoroca.
O silêncio da Cruz na capital.
A vela se consome no castiçal.
É o poema que provoca!
O chamamento convoca!
Para o Centenário do Payador.
Por excelência um cantador,
Nascido em vinte e quatro.
Noventa e nove o último ato.
O adeus do sabiá cantor.
Versos como arma em combate,
Roda a vida giratória...
Traz junto a verve oratória,
A lança num estandarte.
Resistência... e pura arte,
Do poeta nativo e universal,
Nos campos sagrados de pastiçal,
Rogamos preces nas Missões,
Para reviver os causos – nos galpões –,
De Jayme Caetano Braun.
1 Publicado na Antologia 2024 da Estância da Poesia Crioula.

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